Irminsul

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Irminsul


Desenho frente e verso


Tamanho: 3,2 x 4 cm


Banhado a prata 925


Acompanha colar


 


Ao longo dos anos, ao lado do martelo do Thor ou do Valknut, o Irminsul tem começado a ter uma posição primária entre os símbolos heathens mais imperativos entre a religião e cultura antiga dos germanos e seus seguidores. Além do mais, em alguns locais – particularmente na Europa continental, em geral, suplantou o Martelo do Þórr como um símbolo pagão.


Este avanço é mais do que uma escolha de estilo: por assim dizer, podemos afirmar que o símbolo da vida e da força, o Irminsul, está começando a suplantar o símbolo da batalha, o martelo de guerra. Isso implica que a tradição dos germanos tenha tocado na base, indício de que alcançamos um tipo de desenvolvimento e que não precisamos lutar tanto quanto antes?


Da onde vem esse nome?


No idioma reconstruído comum aos germanos, o proto-germânico, encontramos o termo “*ermunaz” ou “forte”, “inteiro”, o qual pode ser usado também para se referir ao herói alemão Irmin que é possivelmente o fundador da tribo dos Hermiones ou um epíteto de Ziu (a versão alemã de Týr) ou Wotan (a versão alemã de Óðinn), senão uma divindade ou semi divindade dos saxões. A forma de Irmin em nórdico antigo é Jörmunr, um dos nomes poéticos de Óðinn. Arminío, “Irmin” em alemão antigo, “Arminius” em latim, ou Hermann, em alemão, era filho de Segímero, e foi levado como refém de guerra para Roma, posteriormente retornando e lutando com seu povo, os Queruscos (Cherusker), da Baixa-Saxônia, auxiliando em sua libertação, e tornando-se também chefe de sua tribo assim como seu pai. O nome Irminsul provavelmente significa “grande/poderoso pilar”,


Mas o que realmente é o Irminsul?


O Irminsul era um pilar religioso pagão que se elevava sobre a paisagem. A estrutura desempenhou um papel importante nas cerimônias religiosas do paganismo do estilo germânico do povo anglo-saxão. O propósito do Irminsul e suas implicações têm sido objeto de considerável discurso e especulação acadêmica entre pagãos e heathens durante décadas.


Tácito, na Germânia, sobre a terra dos frísios, aponta que eles erguiam colunas para o que ele sincretizou como o herói reconhecido por sua força e vigor, filho de Júpiter, o deus líder dos romanos, dizendo que


Et superesse adhuc Herculis columnas fama vulgavit, sive adiit Hercules, seu quidquid ubique magnificum est, in claritatem eius referre consensimus


“Espalhou-se o boato de que até hoje existem colunas de Hércules lá, seja porque Hércules visitou o local, seja porque concordamos em atribuir à sua celebridade tudo aquilo que encontramos de magnífico em qualquer lugar”.


A crônica mais antiga que descreve claramente um Irminsul, Scriptores rerum Sangallensium. Annales, chronica et historiae aevi Saxonici, refere-se a ele como um tronco de árvore erguido ao ar livre, quod latine dicitur universalis columna, ou seja, que os latinos chamaram de “coluna universal”, por suportar tudo (sustinens omnia).


Muitos acreditam que o pilar sagrado estava sobre o grande santuário do Externsteine, no estado alemão de Renânia do Norte-Vestfália, uma formação de pedras de um arenito duro, resistente à erosão, colocado durante a era Cretácica inicial, há aproximadamente 120 milhões de anos atrás, que consiste em várias colunas altas e estreitas, que sobem abruptamente das colinas arborizadas circundantes. O nome significa provavelmente “pedras do Egge”, que fica perto da cidade de Horn-Bad Meinberg (o nome é provavelmente uma referência à forma do Irminsul – que dá a impressão de ser chifres). O Externsteine permanecia como o farol do “mundo perverso”, o lugar mais abençoado, certamente, da tradição do germânica ontem e hoje. Além disso, serve como um destaque entre os focos mais essenciais, religiosos e sociais, da antiga Europa.


O relevo de Externsteine da Descida da Cruz. Foi sugerido que a árvore curvada debaixo da cruz representa o Irminsul, humilhado pelo triunfo de Cristianismo.


O pilar fálico era o símbolo do povo saxão antes da cristianização. Esta é a razão pela qual Carlos Magno queria dizimá-lo primeiro – fazendo isso simbolizaria a pulverização da alma dos saxões. Assim, no ano 772 da era atual, foi comemorado quando o Irminsul foi destruído.


Carlus Saxoniam bello adgressus Eresburgum castrum capit et idolum Saxonum, quod vocabatur Irminsul, destruit. (Annales Fuldenses sive Annales regni Francorum orientalis)


“Carlos [Magno] guerreou contra os Saxões em Eresburgo [no estado de Renânia do Norte-Vestfália, na Alemanha], capturou esta imagem dos Saxões, a qual era chamada Irminsul, e a destruiu”.


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“A destruição do Irminsul por Carlos Magno” (1882) por Heinrich Leutemann.


Nas Kaiserchronik, ou Crônica dos Reis, manuscritos alemães do século XII, lemos que


ûf ainer irmensiule / stuont ain abgot ungehiure, / daz hiezen si ir choufman.


Sobre um Irminsul / ergue-se um enorme ídolo / que eles chamam seu mercador


ou ainda, sobre Júlio César:


Rômâre in ungetrûwelîche sluogen / sîn gebaine si ûf ain irmensûl begruoben


Os romanos o mataram traiçoeiramente / e enterraram seus ossos em um Irminsul


e sobre Nero:


ûf ain irmensûl er staich / daz lantfolch im allez naich


Ele subiu sobre um Irminsul / os camponeses todos se curvaram diante dele


o que não deixa exatamente claro se o Irminsul era um termo usado para referir-se a pilares em geral ou ao símbolo específico dos germanos.


Os cronistas antigos relatam que no século XIII na cidade de Hildesheim, na Baixa Saxônia na Alemanha, ainda era comemorado na véspera do quarto domingo da quaresma cristã, o Lætare, a derrubada do Irminsul por Carlos Magno.


Todavia, os pilares como importantes símbolos culturais não morreram entre os germanos. Por exemplo, nas comemorações de Midsommar, na Suécia, ainda hoje acontecem danças e cantos populares ao redor do majstång, um pilar ornado com ervas.


O Irminsul como símbolo transmite um legado de esperança, aperfeiçoamento, sabedoria, conhecimento e memória. É um símbolo para nos lembrar de nossos ancestrais mais amados e uma história de subversão. Além disso, o Irminsul nos ajuda a recordar nossa condição de guerra contra nossos adversários e nossa batalha para melhorar nosso povo e a nós mesmos diante de forças externas focadas em dizimar, reduzir e contaminar nossos espíritos sagrados e naturezas sagradas fundamentais. O Irminsul como um símbolo vive em nós.


O Irminsul nos lembra as melhores lembranças de quem somos como povo e cultura. Ele fala aos heathens sobre as avançadas e antigas complexidades de nossa lenda tribal e nossas lembranças como uma sociedade germanizada.


Vale lembrar da semelhança de significado e formato com a runa Algiz, que no proto-germânico significa “proteção”, ou “alce”. Segundo Simek, um animal parecido, o veado tinha ligação com a herança passada por Óðinn às casas reais. Além disso, segundo Tácito Alcis ou Alcos era uma divindade gêmea cultuada pela tribo germana dos naarvalos.


O Irminsul não apenas simbolicamente representa tudo o que foi expresso aqui, no entanto, mas também pode ser a ilustração de Wotan/Woden/Óðinn de se enforcar por nove dias sob Yggdrasil. O Irminsul como uma imagem daquela mitologia e de Yggdrasil realmente nos aponta a um ethos (conjunto dos costumes e hábitos fundamentais, no âmbito do comportamento como instituições, afazeres etc. e da cultura como valores, ideias ou crenças, característicos de uma determinada coletividade, época ou região) indistinguível ao de Óðinn ou, neste momento, Yggr. Vale lembrar que as árvores sempre são um símbolo de conexão entre o superior, o terrestre e o submundo, símbolo de herança ancestral e sabedoria acumulada. É uma árvore que sustenta os nove mundos.


Aquele deus ancião de apenas um olho que se atormentava no vazio abaixo de Yggdrasil conseguiu para nós a habilidade das runas. Na imagem de Óðinn, também nós nunca devemos ter medo nem relutância em fazer sacrifícios semelhantes e maiores em nome de nossa tribo e dos outros, que será, por si só, um sacrifício para nós mesmos em última instância.


Esta é a mensagem que podemos tirar do Irminsul, já que seu legado como um grande símbolo da nossa cultura e espiritualidade fala sobre um futuro mais brilhante e um passado sombrio: o desafio de encarar e resgatar as heranças culturais ancestrais e reconstruir até onde seja possível o modo de viver e visão de mundo dos antigos povos germânicos, e não apenas fazer do paganismo mera autoajuda, que é o desafio dos pagãos, dos heathens na atualidade, restaurando os valores e a honra há muito esquecidos pela humanidade em sua sede de salvação pessoal fora desta vida, ou uma noção egoísta de sucesso, deixando os valores originais legítimos dos seres humanos de lado.


Texto por Sonne Heljarskinn

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